segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O que é uma sigla?

"PALOP's? O que é isso?". Uma rapariga na casa dos 30, aspecto urbano e ar cuidado, pergunta ao homem que está à frente, na mesa que partilham. Amigos, provavelmente, ou futuros amantes. Ele faz-se acompanhar de alguns livros, tem ar de quem sabe algumas coisas. Explica-lhe, em tom contemporizador, que se trata da sigla para o conjunto dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. A conversa era sobre um assunto que eu não percebia bem ou não tivera a atenção, dirigida à mesa ao lado, para captar. Mas chamou-me a atenção esta pergunta. Costuma-se dizer que a ignorância é o princípio da sabedoria e com razão. Mas certos desconhecimentos deixam-nos abismados sobre esse bem relativo e cada vez mais vago conceito de "cultura geral".

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Por acidente

Ontem, podia ter morrido. Ou ficado gravemente ferido. Ao volante, arranco ao sinal verde do semáforo, num cruzamento. Travo de súbito. À minha esquerda, surge um monovolume, em velocidade acima do recomendável e sem sintomas de querer abrandar. O sinal vermelho não estava a deter quem conduzia. Assim foi. Passou à minha frente, na mesma marcha livre. Uma condutora conversando ao telemóvel. Sorridente. E lá foi ela. O sangue desceu-me. Tudo isto em fracções de segundos. Por acidente, a vida pode mudar. Ela muda, todos os dias.

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sapato na pedra

Crac!! O estrondo assusta. Mas foi só isso mesmo, um susto, percebe-se logo. O impacto da pedra na chapa automóvel ainda faz saltar o coração, aos pulinhos. Andar distraído tem destas coisas: podemos dar com o sapato em qualquer coisa e lá vai disto. Por vezes, acontece, é verdade. Por mais irritante que seja. Perdoem-nos os proprietários mais zelosos das viaturas parqueadas na via pública. Mas, afinal, trata-se de uma questão de perspectiva. Para eles, uma pedra no sapato, para nós, um sapato na pedra.

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terça-feira, 7 de julho de 2009

Cicatrizes de betão, aço e vidro

Andar pela cidade de cabeça erguida faz a diferença. Só assim se percebem as alterações que ela vai sofrendo, muitas vezes de forma quase imperceptível. No quotidiano, parece que nada sucede, mas, observando a sério, há um imenso caudal. Os edifícios são como pessoas. As fachadas como as suas caras. O passar do tempo deixa-lhes marcas. Como a vida.

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