quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma questão de perspectiva

A propósito do conflito israelo-palestiniano e da presente ofensiva judaica, que sugerem a aparente impossibilidade de entendimento, ocorre a ideia de que falta a compreensão da mais elementar das coisas: humanismo. O que é o "humanismo"? Mais do que uma angelical promessa, deveria ser a simples capacidade de se pôr no lugar do outro. Todos terão as suas razões, estribadas num histórico e nos tropeções que ele vai dando com o presente, as quais fazem parte de uma narrativa que se auto-alimenta. Mas, bastas vezes, tal não é suficiente como ferramenta para chegar ao conserto de posições. Deveria ser aí que o humanismo entrava em cena.   

Etiquetas: , ,

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Questões jornalísticas a propósito de um conflito

Recebido há poucos minutos. Não concordo inteiramente com o conteúdo, mas, ainda assim, acho que adquire uma grande pertinência no contexto actual. Apesar de haver aqui uma clara tendência ideológica, alguns dos pontos expostos têm toda a razão de o ser. Onde está, afinal, a "isenção"?

Atenção ao Livro de Estilo!

 

Doze Regras de Redacção dos Grandes Media Internacionais quando a notícia é do Médio Oriente

 

1) No Médio Oriente são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. É inconveniente falar em «represálias» quando se tratar do exército israelita.

 

2) Os árabes, palestinianos ou libaneses não têm o direito de matar civis. A isso chama-se «terrorismo».

 

3) Israel tem o direito de matar civis. A isso chama-se «legítima defesa».

 

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedido. A isso chama-se «reacção da comunidade internacional».

 

5) Os palestinianos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso chama-se «sequestro de pessoas indefesas».

 

6) Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinianos e libaneses desejar. Actualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinianos. Isto chama-se «prisão de terroristas».

 

7) Quando se mencionam as palavras «Hezbollah» e «Hamas», é obrigatório a mesma frase conter a expressão «apoiado e financiado pela Síria e pelo Irão».

 

8) Quando se menciona «Israel», é proibida qualquer menção à expressão «apoiado e financiado pelos EUA». Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

 

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões «territórios ocupados», «resoluções da ONU», «violações dos Direitos Humanos» ou «Convenção de Genebra».

 

10) Tanto os palestinianos como os libaneses são sempre «cobardes», que se escondem entre a população civil. Se eles dormem nas suas casas, com as suas famílias, a isso dá-se o nome de «dissimulação» e «cobardia». Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso chama-se «acção cirúrgica de alta precisão».

 

11) Os israelitas falam melhor inglês, francês, espanhol e português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redacção (de 1 a 10) ao grande público. A isso chama-se «neutralidade jornalística».

 

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são «terroristas anti-semitas de alta periculosidade». 

Etiquetas: , , ,

Feliz Ano Novo Palestina

Se provas fossem ainda necessárias de que de boas intenções está o planeta cheio, bastaria atentar ao argumentário usado pelas autoridades israelitas para justificarem a autêntica carnificina em curso na Faixa de Gaza. Estão a defender-se, dizem eles, e a fazer um favor aos habitantes daquela minúscula e sobrepovoada parcela de território ao erradicarem uma força extremista como o Hamas. Tão inteligente como tentar extrair um dente estragado dando marteladas num maxilar. 

Etiquetas: , , ,