quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Em construção permanente

Em construção permanente. Assim é a Democracia, assim são as sociedades mais justas, sempre prontas a questionarem-se e a redefinir os seus limites, os quais obrigam aos mais difíceis equilíbrios e, no fundo, lhe dão forma. Essa construção também pressupõe o estar sempre atento às tentativas de destruir o que resulta de anteriores conflitos e que, como tal, constitui um precioso legado moral e cultural. O serviço público de televisão e rádio é um desses casos, pelos quais não devemos vacilar, um momento que seja, em sua defesa. 

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Na paróquia tudo vai calmo

Um treino de fitness matinal de executivos, num parque público do Porto, passa como reportagem, ao fim de um quarto de hora. Na televisão do Estado. A turbulência em redor das eleições do Irão passa lá mais para meio do "jornal". Somos tão abertos ao mundo, nesta coisa pequenina chamada Portugal.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Questões jornalísticas a propósito de um conflito

Recebido há poucos minutos. Não concordo inteiramente com o conteúdo, mas, ainda assim, acho que adquire uma grande pertinência no contexto actual. Apesar de haver aqui uma clara tendência ideológica, alguns dos pontos expostos têm toda a razão de o ser. Onde está, afinal, a "isenção"?

Atenção ao Livro de Estilo!

 

Doze Regras de Redacção dos Grandes Media Internacionais quando a notícia é do Médio Oriente

 

1) No Médio Oriente são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. É inconveniente falar em «represálias» quando se tratar do exército israelita.

 

2) Os árabes, palestinianos ou libaneses não têm o direito de matar civis. A isso chama-se «terrorismo».

 

3) Israel tem o direito de matar civis. A isso chama-se «legítima defesa».

 

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedido. A isso chama-se «reacção da comunidade internacional».

 

5) Os palestinianos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso chama-se «sequestro de pessoas indefesas».

 

6) Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinianos e libaneses desejar. Actualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinianos. Isto chama-se «prisão de terroristas».

 

7) Quando se mencionam as palavras «Hezbollah» e «Hamas», é obrigatório a mesma frase conter a expressão «apoiado e financiado pela Síria e pelo Irão».

 

8) Quando se menciona «Israel», é proibida qualquer menção à expressão «apoiado e financiado pelos EUA». Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

 

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões «territórios ocupados», «resoluções da ONU», «violações dos Direitos Humanos» ou «Convenção de Genebra».

 

10) Tanto os palestinianos como os libaneses são sempre «cobardes», que se escondem entre a população civil. Se eles dormem nas suas casas, com as suas famílias, a isso dá-se o nome de «dissimulação» e «cobardia». Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso chama-se «acção cirúrgica de alta precisão».

 

11) Os israelitas falam melhor inglês, francês, espanhol e português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redacção (de 1 a 10) ao grande público. A isso chama-se «neutralidade jornalística».

 

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são «terroristas anti-semitas de alta periculosidade». 

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Branqueamento em curso

Não surpreende. Já se esperava que a as reacções à gaffe de Ferreira Leite dividissem opiniões, na mesma exacta medida em que o funcionamento da coisa democrática causa cisões. Agora, o que espanta é a tentativa de fazer passar a ideia de que afinal tudo não passou de uma ironia, uma brincadeirazinha de retórica. Há quem venha sugerir que se está a empolar o caso para encobrir o mau governo de Sócrates, sem sequer pensar que se está a falar da mais imediata candidata a substituí-lo. Ouviram-se as palavras da líder do PSD e não há segundas leituras possíveis. O que ela disse é demasiado grave para ser encoberto, para "passar uma esponja sobre o assunto". Como aqui se disse ontem, a frustração económica vai dar, a partir de agora, rédea solta a todos os "desiludidos da democracia". "Dar voz ao povo", como se ouve agora pedir no Fórum da TSF.  

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Importa-se de repetir?

Só visto. Mesmo assim, difícil de acreditar. À porta do DIAP de Lisboa, elementos da claque No Name Boys, do Benfica, esperam os seus amigos detidos que se preparam para a ser ouvidos por indícios de crimes diversos. Dando livre rédea aos seus naturais instintos primatas agridem os jornalistas, perante a passividade dos polícias. Nas imagens da RTP -  um dos seu operadores de câmara foi alvo da fúria - vê-se um agente a afastar um matulão trogolodita e, seguidamente, a apontar para o dito operador de imagem e a dizer-lhe "o senhor, depois, vai indentificar-se!". E isto passa-se com a maior das calmas, sem que nenhum responsável da PSP tenha vindo a terreiro explicar tal procedimento. A liberdade de expressão nunca foi uma coisa muito popular por estas terras.

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