quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ver-se grego

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, terá dito hoje, ou ontem, a fazer fé no reportado por alguns jornais, qualquer coisa como "os alemães querem que nós falhemos ou então são estúpidos". Para quem tem a corda ao pescoço, e está dependente precisamente dos humores daqueles que agora vitupera, não perece ser a atitude mais inteligente. Ou então, pensarão alguns, é apenas o preciso reflexo da impotência ante a intransigência teutónica. Estas declarações surgem precisamente no dia em que se ficou a saber que a atleta Paraskevi Papahristou já não vai representar a Grécia mos Jogos Olímpicos de Londres, a dois dias  começarem, por comentários racistas sobre os africanos na sua conta do Tweeter. Suspeita-se de ligações da desportista helénica ao partido de extrema-direita neonazi Aurora Dourada, que tem ganho substancial popularidade e votos, nos últimos tempos, na sequência do agravar da enorme crise económica e social que afecta aquele país mediterrânico. Quem souber um pouco de história e faça a ligação entre os elementos rapidamente perceberá que o cenário montado no chamado "berço da civilização Ocidental" é pouco menos que assustador. Como muito bem têm referido as vozes mais acutilantes, a sociedade grega resulta de um longo, penoso e violento processo histórico, que mais tem de rosário de desgraças do que de construção. Situada na extremidade oriental do continente, a Grécia actual - e dos últimos séculos - pouco deve ao estatuto histórico e intelectual que os seus antepassados nos legaram. Ou seja, de ocidental retém o superficial e apenas alguns esparsos sintomas de comportamento e socialização, sobretudo pelo consumo e pelos modos. Mas é só aparência. Querer fazer-nos crer que "os gregos são como nós" e que "coitados, tal como a gente, estão a ser vítimas de um mal comum" aponta para a maior das patranhas. Temos muitos defeitos, como muitos povos, mas, por favor, não nos metam no mesmo barco.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo Palestina

Se provas fossem ainda necessárias de que de boas intenções está o planeta cheio, bastaria atentar ao argumentário usado pelas autoridades israelitas para justificarem a autêntica carnificina em curso na Faixa de Gaza. Estão a defender-se, dizem eles, e a fazer um favor aos habitantes daquela minúscula e sobrepovoada parcela de território ao erradicarem uma força extremista como o Hamas. Tão inteligente como tentar extrair um dente estragado dando marteladas num maxilar. 

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Importa-se de repetir?

Só visto. Mesmo assim, difícil de acreditar. À porta do DIAP de Lisboa, elementos da claque No Name Boys, do Benfica, esperam os seus amigos detidos que se preparam para a ser ouvidos por indícios de crimes diversos. Dando livre rédea aos seus naturais instintos primatas agridem os jornalistas, perante a passividade dos polícias. Nas imagens da RTP -  um dos seu operadores de câmara foi alvo da fúria - vê-se um agente a afastar um matulão trogolodita e, seguidamente, a apontar para o dito operador de imagem e a dizer-lhe "o senhor, depois, vai indentificar-se!". E isto passa-se com a maior das calmas, sem que nenhum responsável da PSP tenha vindo a terreiro explicar tal procedimento. A liberdade de expressão nunca foi uma coisa muito popular por estas terras.

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