quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dislike

Cavaco Silva continua a utilizar a mais conhecida e hegemónica rede dita "social" para enviar recados políticos. Agora, foi uma boca enviada ao presidente do Banco Central Europeu. Será que ele não percebe que exerce o cargo de PR e, nem que seja por isso, não pode ser confundido com um adolescente?

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Porquê dizer mal?

Há uns anos, um amigo comentava que neste blog apenas se dizia "mal". A imperfeição e a crítica fazem o mundo avançar, digo. Note-se que os mais brutais e injustos regimes sempre se tiveram em muito boa conta, olhando com desconfiança e tentando silenciar as vozes desafinadas. A harmonia consensual e a ausência de conflito são o grande orgulho dos medíocres.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ver-se grego II

É claro que as atrás proferidas considerações estão longe de impedir o reconhecimento do imenso sofrimento que as medidas de austeridade estão a causar ao povo grego. Muita gente foi e será apanhada pela voragem da crise e das chamas resultantes da gasolina que sobre ela tem sido derramada. Lá, como cá, serão imensos os que, sem terem percebido porque foram convocados a pagar dolorosamente os dislates económico-financeiros cometidos por terceiros, se sentem traídos por um sistema em que acreditavam. E um dos problemas, lá como cá, reside precisamente nessa crença. É que o aparato político, formal e institucional que dá osso a uma democracia não pode ser deixado a funcionar em piloto automático, enquanto nos entretemos a consumir a crédito. Sem vigilância, sem questionar os que gerem a coisa pública - mas sempre a comprar mais e mais. Foi isso que fizeram a maior parte dos povos da Europa. Sobretudo os da sua extremidade meridional, que, sem terem a capacidade de produzir a riqueza necessária para pelo menos pagarem as despesas que iam contraindo, não se coibiram de pedirem emprestado. Como se não houvesse amanhã. Essa sensação de futuro arredado é precisamente a que muitos cidadãos hoje sentem. Os gregos podem parecer-nos meio desmiolados - e, em certa medida, são-no -, mas também os portugueses, apesar de aparentemente mais cordatos, embarcaram nessa loucura. No fundo, estamos todos a vermo-nos gregos. E uma parte substancial da culpa, embora não toda, é nossa.

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ver-se grego

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, terá dito hoje, ou ontem, a fazer fé no reportado por alguns jornais, qualquer coisa como "os alemães querem que nós falhemos ou então são estúpidos". Para quem tem a corda ao pescoço, e está dependente precisamente dos humores daqueles que agora vitupera, não perece ser a atitude mais inteligente. Ou então, pensarão alguns, é apenas o preciso reflexo da impotência ante a intransigência teutónica. Estas declarações surgem precisamente no dia em que se ficou a saber que a atleta Paraskevi Papahristou já não vai representar a Grécia mos Jogos Olímpicos de Londres, a dois dias  começarem, por comentários racistas sobre os africanos na sua conta do Tweeter. Suspeita-se de ligações da desportista helénica ao partido de extrema-direita neonazi Aurora Dourada, que tem ganho substancial popularidade e votos, nos últimos tempos, na sequência do agravar da enorme crise económica e social que afecta aquele país mediterrânico. Quem souber um pouco de história e faça a ligação entre os elementos rapidamente perceberá que o cenário montado no chamado "berço da civilização Ocidental" é pouco menos que assustador. Como muito bem têm referido as vozes mais acutilantes, a sociedade grega resulta de um longo, penoso e violento processo histórico, que mais tem de rosário de desgraças do que de construção. Situada na extremidade oriental do continente, a Grécia actual - e dos últimos séculos - pouco deve ao estatuto histórico e intelectual que os seus antepassados nos legaram. Ou seja, de ocidental retém o superficial e apenas alguns esparsos sintomas de comportamento e socialização, sobretudo pelo consumo e pelos modos. Mas é só aparência. Querer fazer-nos crer que "os gregos são como nós" e que "coitados, tal como a gente, estão a ser vítimas de um mal comum" aponta para a maior das patranhas. Temos muitos defeitos, como muitos povos, mas, por favor, não nos metam no mesmo barco.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O ar está irrespirável

Com o caso em torno do cancelamento da rubrica Este Tempo, na qual se difundia uma crónica radiofónica por dia, de segunda a sexta, na RDP, fica aquele cheiro a medo que já nos acompanhava há muito, mas que teimávamos em fingir inexistente. Pedro Rosa Mendes criticou a subserviência nacional para com a cleptocracia angolana e, alguns dias depois, foi informado pela direcção da rádio pública de que o programa seria coisa do passado. Como ele bem assinala, somos "uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social”. Preparem-se para quando forem os chineses a ditar as regras.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O valor da Liberdade (em tempos de crise)

Sabem qual é a diferença entre um revolucionário e um reaccionário? É que este morre sozinho, deprimido, aturdido pelo medo de morrer como aquele, que sucumbiu vítima do seu excesso de entusiasmo e pagando pelos atentados que causou às vidas alheias. *

*A propósito daqueles que, perante a crise, têm saudades de outros tempos, outros métodos, outras tragédias.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Apesar da esperança

Mesmo com toda a carga simbólica que a chegada de Obama inevitavelmente convoca, serão difíceis os tempos que se avizinham. Mas isso já não constitui novidade. O que continua a espantar é a dimensão da hecatombe económica e financeira em curso. Não lhe conseguimos vislumbrar o fundo. É nesta altura que devemos pensar em todas aquelas lérias que nos venderam de dar mais liberdade aos homens dos negócios e aliviar a presença do Estado. Tão irrealista como os clamores utópicos do Maio de 68 de uma sociedade sem polícias. Conclusão: desconfiem sempre de sentimentalismos na governança. 

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As devidas diferenças

Mesmo sendo mais evidentes do que uma parede, as diferenças entre os Estados Unidos da América e a Rússia nunca serão suficientes para que o reumático da brigada desvaneça. No mesmo dia em que parte significativa do Mundo olha para Washington em busca dos primeiros indícios de uma eventual mudança, más novas sopram de Moscovo. Como de costume. Foi ontem assassinado a tiro, em plena capital russa, o advogado Stanislav Markelov, defensor da família de uma mulher chechena de 18 anos morta por um ex-coronel do exército nacional. 
Lê-se no jornal Global que "Markelov foi atacado e abatido logo depois de ter dado uma conferência de imprensa para denunciar a libertação antecipada do ex-coronel do exército russo Iuri Budanov, o autor da morte da jovem chechena Elza Kungayeva, 18 anos, em Março de 2000. A jornalista estagiária Anastasia Baburova, que estava no local do crime de Merkelov e o tentou socorrer, foi atingida e levada ferida para o hospital, não havendo notícias do seu estado de saúde. Merkelov foi advogado da jornalista Anna Politkovskaya, assassinada por denunciar atrocidades perpetradas por militares russos na Chechénia"
Agora que acabo de transcrever estas linhas, só me ocorrem as declarações de um pobre desgraçado português, ouvido pela televisão num inquérito de rua, aquando da última visita de Putin ao nosso país. Homem de recursos modestos, ar desgastado por uma má vida de trabalho, dizia ele que admirava o presidente do gigante euroasiático porque estaria a "pôr os americanos na ordem". A pobreza de espírito é algo universal e chega a ser comovente. Respeitemo-la, pelos estragos que pode causar.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A importância das palavras

Um líder político tem de perceber a importância das palavras, ou por elas morrerá. É assim em democracia. Noutros regimes de excepção, mesmo que apenas vigentes por um semestre, sucede o inverso: as palavras são utilizadas pelo simulacro de político para se dar importância a si mesmo e matar a desconfiança que dele se possa ter. O que, manifestamente, alguns por cá ainda parecem ter dificuldade em assimilar.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

O verdadeiro motivo de Manuela Ferreira Leite


Depois de se ter saído com uma estranha afirmação, na semana passada, em que dizia que não deveriam ser os jornalistas a escolher o que publicam - o que para muita gente foi apenas a confirmação da real tendência censória e reaccionária da senhora -, Manuela Ferreira Leite deixa cair, por fim, a máscara. Há poucas horas, confessou que não se importaria de prescindir, por uns tempos, do regime democrático para poder "arrumar a casa". Onde já ouvimos frases como esta? Não é assim que pensam todos os defensores dos regimes totalitários?

E pensar que era nela que recaíam esperanças de credibilização do PSD, depois da passagem de Luís Filipe Menezes pelo lugar de líder.Inclusivamente, nesta página, disso se deu conta. Pura ingenuidade, reconheço.

É melhor ler, retirado agora mesmo do PÚBLICO on-line:
Líder do PSD comenta reformas do Governo
Ferreira Leite pergunta se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem" 
18.11.2008 - 17h20 Lusa
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", num comentário às reformas que o actual Governo tem realizado em áreas como a justiça, educação ou saúde.

No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas. Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a líder social-democrata demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia". 

"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite. 
(...)

Perante isto, que dizer? A situação económica do país está a piorar a olhos vistos e, não tenhamos ilusiões, sentimentos de simpatia por ideias deste calibre continuarão a instalar-se nas mentes da populaça. Não nos esqueçamos de onde viemos, nós os portugueses. Repete-se o que aqui sempre se disse: nunca fomos muito amigos dos ares da Liberdade. Estamos a falar, neste caso, da líder do maior partido da oposição, da hipotética alternativa ao lugar que, pelas regras normais da democracia, um dia, José Sócrates deixará.

É Portugal....
 

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