quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Porquê dizer mal?

Há uns anos, um amigo comentava que neste blog apenas se dizia "mal". A imperfeição e a crítica fazem o mundo avançar, digo. Note-se que os mais brutais e injustos regimes sempre se tiveram em muito boa conta, olhando com desconfiança e tentando silenciar as vozes desafinadas. A harmonia consensual e a ausência de conflito são o grande orgulho dos medíocres.

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ver-se grego

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, terá dito hoje, ou ontem, a fazer fé no reportado por alguns jornais, qualquer coisa como "os alemães querem que nós falhemos ou então são estúpidos". Para quem tem a corda ao pescoço, e está dependente precisamente dos humores daqueles que agora vitupera, não perece ser a atitude mais inteligente. Ou então, pensarão alguns, é apenas o preciso reflexo da impotência ante a intransigência teutónica. Estas declarações surgem precisamente no dia em que se ficou a saber que a atleta Paraskevi Papahristou já não vai representar a Grécia mos Jogos Olímpicos de Londres, a dois dias  começarem, por comentários racistas sobre os africanos na sua conta do Tweeter. Suspeita-se de ligações da desportista helénica ao partido de extrema-direita neonazi Aurora Dourada, que tem ganho substancial popularidade e votos, nos últimos tempos, na sequência do agravar da enorme crise económica e social que afecta aquele país mediterrânico. Quem souber um pouco de história e faça a ligação entre os elementos rapidamente perceberá que o cenário montado no chamado "berço da civilização Ocidental" é pouco menos que assustador. Como muito bem têm referido as vozes mais acutilantes, a sociedade grega resulta de um longo, penoso e violento processo histórico, que mais tem de rosário de desgraças do que de construção. Situada na extremidade oriental do continente, a Grécia actual - e dos últimos séculos - pouco deve ao estatuto histórico e intelectual que os seus antepassados nos legaram. Ou seja, de ocidental retém o superficial e apenas alguns esparsos sintomas de comportamento e socialização, sobretudo pelo consumo e pelos modos. Mas é só aparência. Querer fazer-nos crer que "os gregos são como nós" e que "coitados, tal como a gente, estão a ser vítimas de um mal comum" aponta para a maior das patranhas. Temos muitos defeitos, como muitos povos, mas, por favor, não nos metam no mesmo barco.

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Calem-se!

Ainda haverá espaço mental para mais ruído e assédio publicitário?

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tempos assustadores II

Tropecei, há pouco, com a notícia de que está para breve a publicação de uma revista de "Cultura, Artes e Ideias" denominada Salazar. Logo depois da incredulidade inicial, veio a incredulidade actual. "SALAZAR é um projecto cultural que contempla uma publicação digital, uma revista bimensal, workshops literários e artísticos, uma produtora de eventos culturais e uma editora de ficção. É uma ideia de pessoas jovens, qualificadas e com interesse fundamentado pelas artes e pelo país. Não pretende revolucionar ou provocar mas assume um carácter irónico e subversivo de análise e reflexão", argumenta a apresentação do projecto.

Mais à frente, diz: "Não acudimos ninguém, assumimos a perplexidade mas primamos, sobretudo, pela reflexão. A nossa curiosidade, aliada à nossa certeza de que é difícil ter certeza, afasta-nos da seriedade taxativa de quem tem causas a defender e bandeiras a empunhar. Preferimos desconfiar de quem não tem dúvida, e achamos que um pouco de cepticismo não faz mal a ninguém – e a nenhum projecto."

E, entre outras coisas, no fim da apresentação, acaba por explicar a razão do nome: "SALAZAR não tem resposta para tudo. Nem para quem pergunta por que se chama SALAZAR, porque a esse respeito ainda não chegamos a um consenso (existem, pelo menos, quatro versões). Podemos apenas garantir que nenhum dos colaboradores do projecto nutre simpatia por ideologias fascistas".

Dá para acreditar? Se dúvidas existissem sobre a indigência mental e, pior, sobre a leviandade em que se banha o neófito projecto, bastaria esta última parte para as desfazer. Se isto não é brincar com o fogo. Então, lança-se uma publicação com um nome carregado de simbolismo, indubitavelmente associado a um período em que as liberdade individuais foram suprimidas, e diz-se que sobre a escolha desse nome "não existe consenso" entre os fundadores? Mas o que é isto? Nem um (mau) jornal escolar se arriscaria a cirandar de forma tão grotesca pela retórica mais elementar.
Como alguém já comentou a propósito do nome da revista, escolhe-se este porque é "giro", porque dá nas vistas. É o marketing mais rasteiro de que há memória. E perigoso. Mas é este género de estratégias que está na moda.
Se dúvidas houvessem sobre as intenções do projecto, os promotores da ideia - num assomo de chico-espertismo tão em voga - tratam de as alimentar. Veja-se o que propõem como material promocional, disponível no site, clicando em "merchandising". Nada mais do que uma caricatura do ditador.
Um nojo.

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Tempos assustadores I

No dia que antecede a audiência de Pedro Rosa Mendes no Parlamento Europeu, a propósito da forma como foi dada como finda a sua colaboração com a RDP, na sequência de uma crónica em que ele criticava o regime angolano, um dado mais se junta à equação que tem como desfecho certo o amordaçar de Lisboa por Luanda. Como se temia, o jornal i foi comprado por captais angolanos, resgatando-o assim da difícil situação económica em que se encontrava. E, para começar a agradar ao dono logo no primeiro dia, os responsáveis pelo diário não encontraram nada de mais salutar do que publicar um artigo através do qual o governo daquele país africano assegura que "Pedro Rosa Mendes pediu desculpa ao presidente em 2002". De nada serve o próprio Rosa Mendes negar, no mesmo artigo, que tenha pedido desculpa ao déspota José Eduardo dos Santos. Os piores receios concretizam-se.

Angola garante que Pedro Rosa Mendes pediu desculpa ao presidente em 2002
Por Ricardo Paz Barroso, publicado em 31 Jan 2012 - 03:10 | Actualizado há 13 horas 27 minutos. Jornalista confirma ter ido ao palácio presidencial onde esteve “uma hora a olhar para um quadro”

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Puzzle sinistro

Depois do "caso Rosa Mendes", esta semana teve ainda o seguinte: despedimentos no Diário Económico; despedimentos no Sol; compra do jornal OJE pelos angolanos e censura dentro de um diário para não se noticiar "o caso Rosa Mendes" e os despedimentos no Sol, ambos os casos obviamente ligados a Angola. A Liberdade apresenta sinais alarmantes de corrosão acelerada. Na verdade, isto não começou agora, antes foi um processo iniciado há pouco mais de uma década e que, agora, que a situação económica e financeira do país está a raiar o dramático, começa a revelar-se inteiramente, com as peças a encaixarem. Como um puzzle que revela um segredo sinistro.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O ar está irrespirável

Com o caso em torno do cancelamento da rubrica Este Tempo, na qual se difundia uma crónica radiofónica por dia, de segunda a sexta, na RDP, fica aquele cheiro a medo que já nos acompanhava há muito, mas que teimávamos em fingir inexistente. Pedro Rosa Mendes criticou a subserviência nacional para com a cleptocracia angolana e, alguns dias depois, foi informado pela direcção da rádio pública de que o programa seria coisa do passado. Como ele bem assinala, somos "uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social”. Preparem-se para quando forem os chineses a ditar as regras.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As devidas diferenças

Mesmo sendo mais evidentes do que uma parede, as diferenças entre os Estados Unidos da América e a Rússia nunca serão suficientes para que o reumático da brigada desvaneça. No mesmo dia em que parte significativa do Mundo olha para Washington em busca dos primeiros indícios de uma eventual mudança, más novas sopram de Moscovo. Como de costume. Foi ontem assassinado a tiro, em plena capital russa, o advogado Stanislav Markelov, defensor da família de uma mulher chechena de 18 anos morta por um ex-coronel do exército nacional. 
Lê-se no jornal Global que "Markelov foi atacado e abatido logo depois de ter dado uma conferência de imprensa para denunciar a libertação antecipada do ex-coronel do exército russo Iuri Budanov, o autor da morte da jovem chechena Elza Kungayeva, 18 anos, em Março de 2000. A jornalista estagiária Anastasia Baburova, que estava no local do crime de Merkelov e o tentou socorrer, foi atingida e levada ferida para o hospital, não havendo notícias do seu estado de saúde. Merkelov foi advogado da jornalista Anna Politkovskaya, assassinada por denunciar atrocidades perpetradas por militares russos na Chechénia". 
Agora que acabo de transcrever estas linhas, só me ocorrem as declarações de um pobre desgraçado português, ouvido pela televisão num inquérito de rua, aquando da última visita de Putin ao nosso país. Homem de recursos modestos, ar desgastado por uma má vida de trabalho, dizia ele que admirava o presidente do gigante euroasiático porque estaria a "pôr os americanos na ordem". A pobreza de espírito é algo universal e chega a ser comovente. Respeitemo-la, pelos estragos que pode causar.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Branqueamento em curso

Não surpreende. Já se esperava que a as reacções à gaffe de Ferreira Leite dividissem opiniões, na mesma exacta medida em que o funcionamento da coisa democrática causa cisões. Agora, o que espanta é a tentativa de fazer passar a ideia de que afinal tudo não passou de uma ironia, uma brincadeirazinha de retórica. Há quem venha sugerir que se está a empolar o caso para encobrir o mau governo de Sócrates, sem sequer pensar que se está a falar da mais imediata candidata a substituí-lo. Ouviram-se as palavras da líder do PSD e não há segundas leituras possíveis. O que ela disse é demasiado grave para ser encoberto, para "passar uma esponja sobre o assunto". Como aqui se disse ontem, a frustração económica vai dar, a partir de agora, rédea solta a todos os "desiludidos da democracia". "Dar voz ao povo", como se ouve agora pedir no Fórum da TSF.  

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

O verdadeiro motivo de Manuela Ferreira Leite


Depois de se ter saído com uma estranha afirmação, na semana passada, em que dizia que não deveriam ser os jornalistas a escolher o que publicam - o que para muita gente foi apenas a confirmação da real tendência censória e reaccionária da senhora -, Manuela Ferreira Leite deixa cair, por fim, a máscara. Há poucas horas, confessou que não se importaria de prescindir, por uns tempos, do regime democrático para poder "arrumar a casa". Onde já ouvimos frases como esta? Não é assim que pensam todos os defensores dos regimes totalitários?

E pensar que era nela que recaíam esperanças de credibilização do PSD, depois da passagem de Luís Filipe Menezes pelo lugar de líder.Inclusivamente, nesta página, disso se deu conta. Pura ingenuidade, reconheço.

É melhor ler, retirado agora mesmo do PÚBLICO on-line:
Líder do PSD comenta reformas do Governo
Ferreira Leite pergunta se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem" 
18.11.2008 - 17h20 Lusa
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", num comentário às reformas que o actual Governo tem realizado em áreas como a justiça, educação ou saúde.

No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas. Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a líder social-democrata demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...". "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia". 

"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite. 
(...)

Perante isto, que dizer? A situação económica do país está a piorar a olhos vistos e, não tenhamos ilusiões, sentimentos de simpatia por ideias deste calibre continuarão a instalar-se nas mentes da populaça. Não nos esqueçamos de onde viemos, nós os portugueses. Repete-se o que aqui sempre se disse: nunca fomos muito amigos dos ares da Liberdade. Estamos a falar, neste caso, da líder do maior partido da oposição, da hipotética alternativa ao lugar que, pelas regras normais da democracia, um dia, José Sócrates deixará.

É Portugal....
 

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Importa-se de repetir?

Só visto. Mesmo assim, difícil de acreditar. À porta do DIAP de Lisboa, elementos da claque No Name Boys, do Benfica, esperam os seus amigos detidos que se preparam para a ser ouvidos por indícios de crimes diversos. Dando livre rédea aos seus naturais instintos primatas agridem os jornalistas, perante a passividade dos polícias. Nas imagens da RTP -  um dos seu operadores de câmara foi alvo da fúria - vê-se um agente a afastar um matulão trogolodita e, seguidamente, a apontar para o dito operador de imagem e a dizer-lhe "o senhor, depois, vai indentificar-se!". E isto passa-se com a maior das calmas, sem que nenhum responsável da PSP tenha vindo a terreiro explicar tal procedimento. A liberdade de expressão nunca foi uma coisa muito popular por estas terras.

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