quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ódio aos jornalistas

É um facto: as pessoas adoram saber "as notícias", mas odeiam os jornalistas.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Palavras gastas

Estão gastas. Exaustas. Velhas como os tempos. Mas o uso que os jornalistas delas fazem retira-lhes a vitalidade que, ainda assim, ostentam. As palavras levam pancada, é o seu destino, a sua função - pelo menos, uma delas. Não estão é preparadas para o (mau) tratamento a que são sujeitas no quotidiano cansado e desinspirado das televisões e das rádios, sobretudo. Chega a ser fascinante a forma persistente como os erros, a banalidade e os lugares comuns da língua portuguesa são usados e reutilizados. 

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tempos assustadores I

No dia que antecede a audiência de Pedro Rosa Mendes no Parlamento Europeu, a propósito da forma como foi dada como finda a sua colaboração com a RDP, na sequência de uma crónica em que ele criticava o regime angolano, um dado mais se junta à equação que tem como desfecho certo o amordaçar de Lisboa por Luanda. Como se temia, o jornal i foi comprado por captais angolanos, resgatando-o assim da difícil situação económica em que se encontrava. E, para começar a agradar ao dono logo no primeiro dia, os responsáveis pelo diário não encontraram nada de mais salutar do que publicar um artigo através do qual o governo daquele país africano assegura que "Pedro Rosa Mendes pediu desculpa ao presidente em 2002". De nada serve o próprio Rosa Mendes negar, no mesmo artigo, que tenha pedido desculpa ao déspota José Eduardo dos Santos. Os piores receios concretizam-se.

Angola garante que Pedro Rosa Mendes pediu desculpa ao presidente em 2002
Por Ricardo Paz Barroso, publicado em 31 Jan 2012 - 03:10 | Actualizado há 13 horas 27 minutos. Jornalista confirma ter ido ao palácio presidencial onde esteve “uma hora a olhar para um quadro”

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ou 8 ou 80

Bipolaridade//: o transtorno bipolar ou distúrbio bipolar é uma forma de transtornos de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca, que são estágios diferentes pela gradação dos seus sintomas, hiperatividade física e mental, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber e realizar ideias.(...) (in Wikipedia.com)

A forma como a matança perpetrada pelo norueguês Anders Behring Breivik foi acompanhada pelos media nacionais revelou-se pouco menos que embaraçante. Dando provas de um autismo a toda prova, durante o dia em que este indivíduo levou a cabo as suas acções assassinas nas ruas de Oslo e na ilha de Utoya, as televisões e os jornais online portugueses menosprezaram a importância dos ataques e tardaram em perceber a sua dimensão real e simbólica. Enquanto os canais noticiosos internacionais montavam um autêntico pipeline informativo, as cadeias do nosso país entretinham-se a falar de outras coisas que, ante "a estória", perdiam toda a pertinência ou, pelo menos, viam-na grandemente esvaziada. O mesmo se passou com as edições digitais dos jornais, que demonstraram estar pouco ginasticadas para responder com rapidez ao apelo informativo do momento. Três dias depois, o pivô do jornal da hora de almoço da SIC abria o bloco informativo falando do "monstro norueguês". É caso para nos perguntarmos onde ficam a isenção e a objectividade exigidas a todos os jornalistas - não lhes compete fazer tais juízos num bloco noticioso. Como sempre, entre nós, o jornalismo sai maltratado por quem o devia exercitar com a destreza que o seu estatuto público exige.

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Destruição Global

Mais um. Desta vez, anuncia-se o fecho eminente do histórico jornal norte-americano Boston Globe. A cidade ficará apenas com o tablóide Boston Herald, o qual - e isto não é piada - conta só com dez jornalistas. Depois admirem-se que a estupidez grasse por todo o lado, a uma velocidade e com um vigor bem maiores que a de qualquer outro vírus.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Operação "Delete" Opinião Pública

De tão banal, quase que não ganha direito a ser notícia. Aqui só espanta ser um dos ditos "campeões de audiências" da imprensa portuguesa, o que quer que esse título signifique. O "Correio da Manhã" anuncia o despedimento de dez profissionais, entre os quais sete jornalistas. Fica uma dúvida: quando acabarem por despedir todos, farão jornais com quê? Notícias da Lusa?

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Ao Mesquita

No espaço de menos que um ano, os dois maiores faróis da minha recente vida como jornalista apagaram. Foram-se. Mas, mais do que isso, eram meus amigos. Mesmo. Ainda ontem, ao final da noite, trocava mensagens de telemóvel com o João Mesquita. Ligaram-me hoje de manhã a dizer que partira. Companheiro fraterno, pai improvável para um grupo imenso de jornalistas mais novos que ele, o João Mesquita vai fazer imensa falta. Pelo seu humanismo, pelo seu sentido de classe e de companheirismo, pelo humor, pelo convívio à volta de uma mesa, pelas longas horas de boémia, pela Liberdade, a sua verdadeira causa. Sei que está lá, algures onde os homens e as mulheres justos se reúnem, em companhia do Torcato Sepúlveda. Nunca vos esquecerei, amigos.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Allô!?

Isto de ser director de um grande jornal tem que se lhe diga. Olhem, que o ateste Henrique Monteiro, chefe-mor do Expresso. Num debate televisivo sobre a actualidade política ontem realizado, a dada altura, quando se comentavam as relações dos titulares de cargos públicos com a imprensa, confessou que não lhe causava qualquer espécie de atrapalhação que telefonassem para a redacção a pressionar o sentido do seu trabalho. Tais intentos passam-lhe ao lado, garante, pois é um profissional correcto que trabalha num jornal incapaz de se deixar influenciar. Tal, argumenta, faz parte da realidade quotidiana de um jornalista, pelo que este não se deve deixar incomodar ou enfadar. Nem sequer é notícia, diz. Seja quem for que esteja do outro lado da linha. Visão curiosa esta. Então e se Sócrates ou Cavaco decidirem dar uma chamadinha rápida para o semanário do senhor Balsemão a sugerir que não deveriam pegar em certa matéria? Isso não é notícia? Será que Henrique Monteiro já ouviu falar de condicionamento ao trabalho de jornalistas que estão vinculados a pequenos órgãos de comunicação social, espalhados por esse país fora, sem outras fontes de rendimento significativas que não a publicidade paga pela autarquia? 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Frio, muito frio

A neve, muito branca, muito fria, tem gelado quase tudo. Mas se as pessoas, em geral, conseguem proteger-se desta invernia alva, o mesmo não sucede com os telejornais das televisões portuguesas. Ah, a neve!, pasmam eles, quais crianças grandes de microfone em punho e em directo. E o branco vai ganhando espaço, camada sobre camada, ocultando os contornos do quotidiano. Branco, branco...

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